Revista Vertigem

O que não te disseram sobre o que você já ouviu

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Sabrina Carpenter: inimiga do feminismo?

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21/07/2025 às 14:50h

Seguindo a tradição de estrelas da Disney, Sabrina Carpenter se lançou ao mundo como cantora em 2014, e desde então tem escalado lentamente em direção ao estrelato. Com seu sexto álbum de estúdio, intitulado “Short n’ Sweet”, lançado em 2024, Sabrina alcançou novos níveis de fama e êxito musical. Muito aclamado pelos fãs e pela crítica, o disco resultou numa turnê com datas nos Estados Unidos, Reino Unido e Europa. 

Seguindo sua trajetória musical, a artista revelou em suas redes sociais seu novo projeto, o álbum “Man’s Best Friend”, em tradução “Melhor amigo do homem”, com data de lançamento para 29 de Agosto de 2025. Seria mais um dos inúmeros álbuns lançados no ano, se não fosse por um pequeno detalhe, sua capa. Na imagem, Sabrina aparece de joelhos, com seu cabelo sendo segurado por uma figura de terno, que aparenta ser de um homem, e está “dando a mão”, como numa posição de “dar a patinha”. Na contracapa, um cachorro com uma coleira grafada com o título do álbum. E pronto, a imagem foi o suficiente para despertar inúmeras discussões em toda a internet, e uma chuva de críticas a escolha de Sabrina. 

Em suma, as críticas giram em torno de uma mesma ideia: Por que Sabrina se colocou numa posição de submissa na imagem? Em alguns casos, a loirinha foi acusada de se sexualizar desnecessariamente, em outros de envergonhar o feminismo, reforçando ideais patriarcais do imaginário feminino, e em todos eles, para liberais ou conservadores, de fazer um desserviço à imagem da mulher. 

Para além das justificativas artísticas, que discutem sobre o sentido irônico da capa, levando em conta que em suas letras a cantora se propõe a humilhar e ironizar a figura masculina, Sabrina não é a incorporadora da luta pelos direitos femininos. Como cantora, o produto que vende se dá pela mistura de símbolos entre o feminino e os dramas vividos por mulheres em relacionamentos heterossexuais. E como indivíduo, Sabrina é uma mulher branca estadunidense, pouquíssimo relacionada à política ou manifestações ideológicas. A capa de seu álbum não parece fazer nada além daquilo que a música pop reproduz a anos, a subversão de performances femininas em função dos lucros, com uma pitadinha aqui e ali de incômodos propositais ao público. Desconfortos esses que geram discussões, que se transformam em números, singles, álbuns, shows, e em última forma, dinheiro. 

Para os conservadores, parece confortável a posição de criticar qualquer manifestação da sexualidade de uma mulher, e para os liberais, responsabilizar indivíduos por problemas estruturais. No final das contas, Sabrina não é tão importante assim. E a capa de seu álbum é apenas mais um dos produtos vendidos pelo capitalismo. Mas no tribunal de pequenas causas da internet, parece não haver nenhum outro ponto de pauta mais importante.