Revista Vertigem

O que não te disseram sobre o que você já ouviu

O que não te disseram sobre o que você já ouviu

Ato realizado nesta quarta-feira (10) exigiu a revogação de novas regras de acesso; abordagem exaltada do Pró-Reitor a estudante isento gerou indignação e denúncias de agressão verbal e física.

Eduarda Fernandes

Na manhã desta quarta-feira (10), a comunidade estudantil da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) realizou um ato público em frente ao Restaurante Universitário (RU) para manifestar sua insatisfação e resistência às novas medidas de acesso implementadas pela instituição anunciadas dois dias antes. 

A manifestação se desenvolveu de forma pacífica, com os estudantes expressando suas demandas por meio de cânticos de luta popular, jogral e a solicitação de abertura dos portões do RU, reivindicando um acesso mais simplificado à alimentação. No entanto, um momento de tensão ocorreu quando o Pró-Reitor de Políticas Afirmativas e Assistência Estudantil, Antônio Carlos Moraes, que se encontrava no local para manejo da situação e monitoramento do ato, abordou um estudante de graduação na entrada do restaurante. 

Em depoimento, o aluno (que prefere permanecer em anonimato) afirma que possuía cadastro regular e isenção do pagamento para acesso ao RU. Apesar disso, o estudante relatou ter sido puxado pela camisa pelo Pró-Reitor, que o abordou sob a crença de que estaria tentando acessar o local de forma irregular e exigiu a apresentação de documentos para comprovar seu direito de entrada.

A ação do Pró-Reitor foi marcada pela escalada do conflito, conforme detalha o próprio discente:

“O cara de amarelo que se diz o Pró-Reitor, ele me ameaçou falando que, caso eu não saísse, ele ia ver o que ia acontecer e tal. Na hora que eu recuei, ele veio para cima. Foi quando eu fui me defender. Ele simplesmente falou, abaixou as mãos, se recuou e tal. Isso depois de já ter puxado minha blusa. Eu afastei ele, trouxe minha irmã para perto de mim para passar pelo restaurante, eu achei principalmente que ela tinha se machucado porque ela estava logo atrás de mim. ”

O incidente transformou a abordagem em um ponto crítico de conflito, gerando grande indignação e reforçando os questionamentos dos manifestantes sobre a forma como as novas regras estão sendo aplicadas e a legitimidade dessas normas. A ação da gestão em abordar fisicamente um estudante com acesso regular, sob ameaça, elevou o tom do protesto, focando a crítica na conduta da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil.

Ufes anuncia novas regras de acesso aos restaurantes universitários

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) anunciou em 8 de dezembro (segunda-feira) mudanças nas regras de acesso aos Restaurantes Universitários (RUs) dos campi Maruípe e Goiabeiras.

A medida, com vigência a partir do dia 10 de dezembro, foi justificada pela universidade devido ao aumento de usuários irregulares e visitantes que, segundo a nota, estariam pulando as roletas para consumir refeições gratuitamente. A Ufes alegou ainda que esses invasores estariam ameaçando trabalhadores terceirizados e usuários regulares.

As novas regras visam controlar o acesso e garantir o uso prioritário à comunidade universitária:

  • Pessoas da comunidade universitária que estiverem na fila dos restaurantes serão identificadas e, estando com o cadastro regular, receberão uma ficha e poderão se encaminhar à roleta de acesso ao salão de refeições.
  • Pessoas da comunidade universitária que estiverem com cadastro irregular serão encaminhadas para uma sala onde terão o cadastro regularizado. Em caso de falta de créditos, elas poderão se dirigir ao caixa para comprar créditos e pagar a refeição.
  • Estudantes com cadastro irregular e que declarem não ter recursos para custear a refeição serão cadastrados e receberão o Acesso Provisório Emergencial por Segurança Alimentar – Apressa RU. O recurso é válido por sete dias e foi criado para atender casos emergenciais em que o estudante, por barreiras financeiras, cadastrais ou outras, não consegue acessar o RU. 
  • Já pessoas da comunidade externa terão que se dirigir ao caixa para adquirir o ticket de acesso, no valor de R$ 9,50. 
  • Pessoas em situação de vulnerabilidade social que não tenham condições de custear a refeição serão encaminhadas para o Centro de Referência Especializado de Assistência Social para População de Rua (Centro-Pop) Continental, localizado em Goiabeiras, gerido pela Prefeitura Municipal de Vitória e que oferece refeições (café da manhã, almoço, café da tarde e jantar) a pessoas em vulnerabilidade social.